O SAG é a compressão estática da suspensão sob o seu peso, expressa como porcentagem do curso total. Como ponto de partida no garfo: 15–20% em XC, 20–23% em trail, 23–26% em enduro e 25–28% em DH; o amortecedor traseiro vai mais alto. A pressão exata não se calcula no olho: depende do seu peso, do stroke, do volume da câmara e dos tokens, e o ar se comprime de forma não linear. A Calculadora SAG da BikeLab a resolve para 132 modelos (Fox, RockShox, Öhlins, SR Suntour e mais) com um modelo físico de câmara dupla e erro médio de 1.66 psi.
→ Versão técnica completa: Modelo Físico de Câmara Dupla — White Paper v3.0
A suspensão MTB mal configurada não é um problema de conforto. É perda de tração, perda de controle, e fadiga acumulada em cada metro de trilha. O primeiro parâmetro que qualquer engenheiro de suspensão ajusta antes de qualquer outra coisa é o SAG, e existe uma razão física precisa para isso: define o ponto de operação da mola pneumática, e todo o resto —retorno, compressão, progressividade— trabalha em função desse ponto.
Este artigo explica o que é o SAG, por que importa, e coloca à sua disposição a calculadora mais completa disponível em português: 132 modelos de garfo e amortecedor, de Fox, RockShox, SR Suntour, Öhlins, Manitou, Marzocchi, DVO, Cane Creek e mais, calibrada com tabelas oficiais de fabricante e validada com 10.000 simulações estatísticas por modelo.
O SAG é a compressão estática da mola pneumática sob o peso do ciclista em posição neutra sobre a bicicleta. Expressa-se como porcentagem do stroke total do componente:
SAG [%] = (compressão estática [mm] / stroke total [mm]) × 100
Um garfo Fox 36 com 160mm de stroke em 25% de SAG estará comprimido 40mm quando o ciclista sobe na bike em posição neutra.
Quando o ciclista se senta sobre a bicicleta sem pedalar nem se mover, o peso comprime a suspensão até seu ponto de equilíbrio. Esse ponto de equilíbrio é o SAG. Se o SAG é baixo demais (pouca pressão), a suspensão fica rígida demais: não absorve bem os impactos pequenos e o ciclista sente o terreno filtrado. Se é alto demais (pouca pressão), a suspensão já está parcialmente comprimida em repouso e perde curso disponível para absorver os impactos grandes.
A mola pneumática não é linear: quanto mais se comprime, mais pressão exerce (lei politrópica PV^γ = constante). Isso significa que o comportamento do retorno, a compressão de alta velocidade, e a sensação de fim de curso dependem diretamente de em que ponto do stroke a suspensão normalmente trabalha. Configurar o retorno ou a compressão antes do SAG é otimizar a resposta dinâmica sobre uma base incorreta.
Figura 1. Diagrama de SAG para Fox 36 160mm. O SAG de 25% posiciona o pistão a 40mm do início do stroke, deixando 120mm disponíveis para absorver impactos.
As faixas de SAG não são arbitrárias. Derivam do equilíbrio entre sensibilidade a impactos pequenos (requer SAG alto) e curso disponível para impactos grandes (requer SAG baixo). A disciplina define qual lado do equilíbrio priorizar:
| Disciplina | SAG garfo dianteiro | SAG amortecedor traseiro | Lógica |
|---|---|---|---|
| XC / Cross-Country | 15–20% | 25–28% | Eficiência na pedalada, mínima compressão parasita |
| Trail | 20–23% | 28–30% | Equilíbrio entre eficiência e absorção de terreno variado |
| Enduro | 23–26% | 30–33% | Prioridade de absorção, descida técnica |
| DH / Descida | 25–28% | 33–38% | Máxima absorção, a pedalada não é variável de decisão |
Dentro das faixas anteriores, o ajuste fino depende de duas variáveis que você conhece melhor que qualquer tabela oficial:
A pergunta que aparece em qualquer fórum: "quantos psi preciso?". A resposta direta é: depende de 4 variáveis interdependentes que não são lineares entre si.
A relação entre essas variáveis é não linear porque o ar se comprime segundo a lei politrópica (P·V^γ = constante, com γ calibrado empiricamente dentro da faixa física esperada para compressão rápida com transferência de calor parcial). Isso significa que a pressão não escala linearmente com o peso: um ciclista de 100kg não precisa exatamente do dobro de pressão que um de 50kg. Tampouco escala linearmente com o stroke.
As tabelas impressas nos manuais de Fox e RockShox são aproximações válidas para as faixas de peso mais comuns, mas se desviam nos extremos. Nosso modelo reproduz essas tabelas com erro médio de 1.66 psi e as estende a toda a faixa operacional com bandas de confiança honestas.
Esta não é uma tabela de interpolação. É um modelo físico completo de câmara dupla com compressão politrópica, calibrado mediante otimização diferencial inversa contra os dados oficiais de Fox, RockShox, SR Suntour e Öhlins. Para quem quiser os detalhes técnicos completos —equações, parâmetros calibrados, resultados de validação Monte Carlo, limitações documentadas— está disponível o White Paper técnico completo v3.0.
O que importa para usar a calculadora:
O resultado da calculadora é seu ponto de partida documentado, não o ajuste final. Use a pressão recomendada, meça o SAG fisicamente, ajuste dentro da faixa de confiança indicada, e afine pela sensação na trilha. O retorno e a compressão se ajustam depois de confirmar o SAG.
Os modelos entry-level (SR Suntour, RS Judy, RS Recon) têm banda de confiança ±15% pela não linearidade do seu sistema Solo Air — use a faixa, não o número central.
Repita a medição 3 vezes e tire a média. O primeiro resultado tem viés pela direção de entrada no SAG (a histerese dos retentores produz leituras distintas se você sobe devagar vs. com retorno). A média de 3 tentativas com a mesma técnica dá o valor real.
Para bicicletas full suspension, existe uma distinção técnica que a maioria dos configuradores —incluindo os apps de Fox e RockShox— omite: o SAG que você mede no shock traseiro não é o mesmo que o SAG real da roda traseira.
O amortecedor traseiro está conectado ao quadro através de um sistema de articulações (linkage) com uma razão de multiplicação chamada Leverage Ratio (LR). Um shock com 25% de SAG em um quadro com LR = 3.0 produz um SAG de roda de 75% do travel total do quadro, não de 25%.
Ao especificar o tipo de linkage do seu quadro (Horst Link, VPP, DW-Link, Single Pivot, Switch Infinity, High Pivot), a calculadora computa o SAG de roda real e o mostra junto ao SAG do shock. As recomendações dos fabricantes de quadros se expressam em SAG de roda — agora você pode comparar diretamente.
A calculadora funciona inteiramente no seu navegador. Nenhum dado é enviado a nenhum servidor. Você pode salvar a página para uso offline.
A calculadora entrega um valor central de pressão e uma faixa. Por exemplo: "94 psi — Faixa: 89–99 psi — ±5%". Essa faixa não é imprecisão do modelo: é a representação honesta da variabilidade operacional real sob a qual o modelo foi validado. Temperatura, tolerâncias de manufatura, técnica de medição, e variação do peso do ciclista produzem essa dispersão na prática.
Os valores de retorno e compressão são pontos de partida derivados da razão de rigidez calculada (força no SAG) e da disciplina selecionada. São valores razoáveis para começar a pedalar, não ajustes finais. O protocolo correto para afinar o retorno: na oficina, comprimir o garfo completamente com as mãos e soltar. Se a roda salta do chão → retorno rápido demais, fechar (mais clicks). Se volta muito lento → retorno lento, abrir.
Os tokens (volume spacers) reduzem o volume da câmara positiva e aumentam a progressividade sem afetar a pressão inicial. Mais tokens = a suspensão fica mais rígida no fim do curso. A calculadora recomenda o número de tokens que mantém a razão de progressividade dentro da faixa ótima da sua disciplina. Se você já tem tokens instalados, informe esse número para que o cálculo de pressão os incorpore corretamente.
O cálculo de pressão para amortecedores traseiros depende fortemente do leverage ratio do quadro. Sem esse dado, a incerteza se multiplica por 2–3×. Especifique sempre o tipo de linkage do seu quadro para obter resultados úteis. Se você puder identificar o quadro específico, melhor ainda.
[ CLUSTER_DATA_LINKS ] // SUSPENSÃO E CONFIGURAÇÃO MTB
Para a metodologia técnica completa por trás desta calculadora:
Como ponto de partida no garfo: 15–20% em XC, 20–23% em trail, 23–26% em enduro e 25–28% em DH. O amortecedor traseiro vai mais alto: 25–28% em XC, 28–30% em trail, 30–33% em enduro e 33–38% em DH. Dentro da faixa, suba o SAG se você pilota agressivo ou em terreno técnico.
Porque a pressão depende de quatro variáveis não lineares entre si: seu peso total, o stroke do componente, o volume da câmara de ar e os tokens instalados. O ar se comprime segundo a lei politrópica, então a pressão não escala linearmente com o peso nem com o curso.
Não. O amortecedor está conectado ao quadro por um sistema de articulações com um leverage ratio. Um shock com 25% de SAG em um quadro com leverage ratio 3.0 produz um SAG de roda distinto. A calculadora computa o SAG de roda real conforme o tipo de linkage (Horst Link, VPP, DW-Link, Single Pivot, High Pivot).
Deslize o O-ring até o retentor, suba na bike com seu equipamento em posição neutra sem pular, desça com cuidado e meça a distância que o O-ring percorreu. Divida esses milímetros pelo stroke total e multiplique por 100. Repita a medição 3 vezes e tire a média.